Sabe, como o rei de “O Pequeno Príncipe”, que mandava o sol se por e ele obedecia, desde que mandasse sempre às seis e tanto da tarde, eu me senti tão dono deste passarinho hoje, vivendo a liberdade de observá-lo sendo aquilo que ele é, livre para ser passarinho, e concluí que a criança que fui nunca teve seus passarinhos... O bichinho na gaiola já não é mais ele, é somente parte... Está lá a penugem, está lá o piado, move-se de poleiro a outro, come, mas não é o mesmo passarinho que troca de galhos, brinca com outros passarinhos, cisca minhocas, alimenta os filhotes, faz ninho e enfeita o céu visível. Quando ando pelo mundo e presto muita atenção em tudo (como diria o Belchior na voz da Adriana Calcanhoto) vejo que sou dono de tanto, uma riqueza que me pertence pelo fato de não me pertencer. E não é assim também com as pessoas? Quanto mais livre é quem tenho, mais tenho. Quanto mais tento possuir, controlar, quem tenho, menos tenho. Se confio no caráter de quem está a meu lado, porque castigar subjugando à prisão? Se não confio, seu caráter por acaso mudará por eu tentar controlar?
A relação de possessão e liberdade é um dos paradoxos lindos que o criador planejou para a humanidade. Os tesouros que guardo são atacados por traça, ferrugem e ladrões, os que não guardo se transformam em sorrisos, lágrimas de alegria, vida. Manter o que está sob minha possessão é trabalhoso e desgastante, viver o que não tenho é leve. Eu ia aproveitar a metáfora e voltar à temática de tecnologia, falando das vantagens de se trabalhar com software livre ao invés de proprietário, mas o fluxo deste post ficou tão leve que não quero mudar o lado do cérebro em atividade agora. Olhe o passarinho! Click!
Passarinho na grade da minha janela.
Eles passarão... eu, passarinho!
(Mário Quintana)






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