Blogs Numaboa

14 novembro

Aleluia!

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Fico arrepiado ao ver o quanto a maioria das pessoas parece cética aos pequenos sinais que as rodeiam. Um tom mais alaranjado na coloração do céu, a altura das ondas do mar um pouco mais exagerada, uma revoada de um tipo diferente de passarinhos, acho que as pequenas coisas não chamam mais a atenção. Todos sabem quem é o Lindembergue que matou a Eloá (talvez até se o espalhafato não tivesse sido tão sensacionalisticamente apresentado a menina tivesse tido a chance de continuar a trajetória), todos sabem que existe uma crise econômica mundial, e sabem até quem é o Zé Bob. Mas quem sabe dizer quando viu a última estrela-cadente, reparou nas flores dos jardins dos vizinhos ou no formato das nuvens da tarde de hoje?

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7 novembro

Time is not money

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Vou plagiar outro blog, o Maná da Segunda. O seu post da semana passada falava sobre o tempo, e apresentava mais essa quebra de paradigma em relação às bases do século XX – a de que tempo é dinheiro. Não, não é! Isto é descoberta recente dos administradores, que perceberam (enfim!) que dinheiro é bem renovável enquanto tempo perdido é prejuízo eterno. Alguém já disse que todo mundo acorda todo dia com uma caixinha que contém 1.440 minutos que podem ser usados de diversas formas no prazo de um dia, e que a qualidade da vida de cada um difere apenas pelo bom ou mau uso desta moeda que faz de todos a mesma coisa.

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30 outubro

Convencional

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Escutei um amigo meu dizendo “o Dalton não gosta de nada que seja convencional”. Fiquei um pouco chocado com a afirmação, me senti de volta à adolescência, quando eu chamava o Raul Seixas de “mestre Raul” e apregoava aos colegas de escola a implantação de uma “sociedade alternativa” cuja regra central era justamente uma fuga ao convencional, nem que isso significasse uma fuga da realidade, como “esperar papai noel”. Do falecido cantor sobrou muito pouca influência (graças a Deus!), mas o saldo positivo daquela época é que entendo até hoje que o senso comum não é de forma nenhuma a representação da verdade (não, a voz do povo definitivamente NÃO é a voz de Deus) de forma que sei que além das coisas tidas como convencionais sempre existem outras possibilidades, e estou sempre aberto a conhecê-las e usufruir delas, mesmo que às vezes isso exija um pouco de esforço, se valer a pena. Mas convivo muito bem com tudo o que é bom mesmo que seja “convencional”.

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23 outubro

O avesso do jabá

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Divertido o que a Revolução Digital faz. Não bastasse a convergência maluca das mídias, possibilitando estes aparelhos que a gente leva no bolso sem saber se é uma câmera fotográfica que telefona, toca músicas e conecta à internet ou se é um telefone que tira fotografias, toca música, manda e-mail e sintoniza a TV, agora outro paradigma sólido do século XX começa a ser quebrado de modo que enfim parece absoluto: a forma como a gente obtém as músicas que quer escutar. Os fabricantes de telefones celulares (o que eles têm a ver com isso?) estão propondo uma nova forma de comercialização de músicas baseada em uma assinatura fixa mensal que permite baixar quantas e quais músicas se quiser, e sem proteção nos arquivos. Uma nova era para o inocente ouvinte!

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