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18 dezembro

Eu quero me casar mas não acho com quem

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Anteontem o site da BBC Brasil anunciava um estudo de uma universidade de Edimburgo que mostra que as comédias românticas atrapalham a vida afetiva das pessoas. Os meios de comunicação geram espectativas emocionais que não podem existir na realidade.

A “pessoa certa”. Acho que nunca na história este(a) sujeito(a) foi tão procurado(a). Como dizia a propaganda da lista telefônica, se não está nas páginas amarelas então não existe. E a “pessoa certa” nunca anunciou. Alguém já disse que o seu relacionamento funciona a partir do momento em que você, ao invés de procurar a “pessoa certa”, passar a se esforçar para ser a pessoa certa. Eu concordo. Mas o que acontece se tanta gente ainda pensa encontrar alguém que o aceite como é, tenha objetivos de vida comuns, afinidades, gostos sincronizados, lhe dê o espaço que tinha quando solteiro e entenda-a sem que seja necessário falar?

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12 dezembro

Eles passarão, eu passarinho

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Toda escolha, mesmo no singular, é renúncias, no plural. Escolher caminhar para o norte significa renunciar caminhar em todas as outras direções da rosa dos ventos. Não dá pra abraçar o mundo, quem tudo quer tudo perde, já dizem os ditados, porque não é possível burlar este princípio. É preciso saber escolher para renunciar somente às coisas que podem ser deixadas pra lá. Escolher exige sabedoria, noção clara de prioridades. Escolher muitas vezes é doação, entrega, e é sempre um abrir mão. Já falei por aqui antes sobre o problema que é escolher.

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5 dezembro

O Efeito Hordônio

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A gente tinha um gato siamês chamado Franz. Um dia uma fêmea, cor de chumbo, muito bonita, apareceu no nosso jardim e por lá foi ficando, o Franz aceitou-a numa boa, partilhando a mesma tigela de ração. Minha irmã chamou ela de Nasili. Demorou até eu perceber entre as plantas, onde a Nasili costumava se esconder, a presença de um filhote, cor de chumbo, como a mãe. Minha irmã chamou o filhote de Hordônio (nomes esquisitos em animais sempre foi característica da mana). Mas, ao contrário da Nasili, que era uma gata dócil e carinhosa, o Hordônio era arisco, intocável, agressivo, isolado. Impossível se aproximar dele, muito menos tocá-lo, fazer um carinho. Tempinho depois um vizinho explicou a origem dos bichinhos: a Nasili havia tido uma ninhada na rua, e os moleques do bairro judiaram dos bichanos à base de pedradas e chutes até que somente o Hordônio sobrevivesse, além da mãe, que o levou até nosso jardim e lá deixou o pequeno escondido. Maldade, muita maldade.

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28 novembro

Eu já te disse

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A comunicação é um dos atributos mais impressionantes das pessoas. Não que não ocorra “comunicação” entre outros seres vivos – de forma ferramental, que transforma a interação social em um sistema, onde cada indivíduo tem seu papel como uma engrenagem em uma máquina (por exemplo, a comunicação entre as formigas serve para que encontrem alimento, conheçam o caminho de ida e de volta, e saibam o que fazer com ele) – mas a comunicação entre gente é mais que isso; é a tentativa de transferir conhecimento, de traduzir a imaginação, de gerar idéias, de criar em coletividade, de demonstrar sentimentos, emoções e afeto, de expressar o universo individual, de apresentar o “eu” de cada um, e de construir relações, já que gente é o único tipo de criatura que pode escolher baseada em mais que instinto – se aproxima com motivos racionais e emocionais, além de químicos e intuitivos, e constrói relações encaixando planejamento de vida à interação.

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