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Perguntar não ofende: Será que propaganda eleitoral antecipada também está prevista na Ficha Limpa? Note que não estou sendo tendenciosa, porque da propaganda antecipada só se salva a Marina... por enquanto.

Na Aldeia

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Dalton Sponholz


30.07.2010 06:05:01

Existem momentos em que a gente toma uma decisão de risco. Grande ou pequena, você não sabe exatamente o que vem depois dela ou tem uma noção, ou então sabe dois ou três possíveis finais para a história que a tal decisão vai escrever, e arrisca uma escolha para ver onde é que ela vai dar. Pois olha, faz alguns meses um incidente aqui fez alguns vários litros de água invadirem o chão do meu escritório num domingo de manhã. Eu estava com visitas, foi um empenho arrastar equipamentos e móveis, tirar baldes de água na base do passar e torcer o pano-de-chão, e conseguir a menor quantidade de baixas possível diante deste confronto de equipamentos de escritório com um inimigo tão poderoso. O que isso tem a ver com tomar decisões? Bom, eu tinha um almoxarifado com várias caixas com parte de minha mudança que ainda não tinha encontrado um destino, e precisava escolher se retirava todas as caixas de lá e desmontava todas elas ou deixava secar onde estavam, já que somente o chão molhou. Prevendo prejuízos versus mais empenho, deixei tudo onde estava. Por meses.





23.07.2010 10:21:57

Aqui no interior a gente vê um fenômeno esquisito. Como em qualquer canto num mundo que está se globalizando a gurizada está integrada entre si e com o planeta por conta das vias digitais. É torpedo, lan house, twitter, orkut, e-mail, como em qualquer lugar. Navega, pesquisa, interage. Mas estes jovens são tutoreados em casa e na escola por professores e familiares que não tem a mínima intimidade com este admirável mundo novo. Parece que isto gera uma esquizofrenia coletiva, já que precisam transitar entre dois lados (de um lado, gosto de opostos, como diria a Adriana), um digital, no qual fluem muito melhor que a geração anterior e outro, de cadernos e quadro-negro, que lhes soa teatral mas que é o natural daqueles a quem precisam se submeter. Dicotomia maluca.





09.07.2010 17:17:47

Eu perdi a conta de quantas vezes ouvi as variações desta frase, mesmo em versões menos irônicas ou humilhantes. Seja “enquanto você morar aqui”, ou “enquanto você comer aqui”, ou “enquanto eu pagar suas contas”, o final é sempre parecido com “você terá que me obedecer”. Existe a variação inversa porém sinônima, “só quando você tiver sua casa você poderá fazer o que bem entender”. A cena você já detectou qual é, uma criança, um adolescente, um jovem, enfim, um filho, um dependente financeiro, que está discordando de seu tutor e está sendo colocado em seu lugar na marra. O crime cometido pelo adulto aí é o de estar comprando monetariamente a obediência que não teve competência para conquistar. É um tipo de suborno forçado.





25.06.2010 09:48:00

Eu gostava de passar em um brechó que tinha na rua Visconde de Nacar, em Curitiba, sempre que saía da aula, no tempo do colegial. Eu e mais dois amigos que também curtiam o estilo daquela loja chegávamos a perder horas olhando bugigangas que nunca compramos. Só pelo prazer de garimpar objetos estilosos que não são comuns. Hoje ainda faço isso meio que sem querer quando sento pra trabalhar. De repente estou eu em sites de comércio eletrônico observando as novidades da tecnologia ou até objetos estilosos, sempre com os olhos atentos ao incomum. Bem de vez em quando até dou uma clicada no botão vermelho e dou trabalho pros correios, além de dar uma aumentadinha na minha fatura do cartão de crédito – mas só quando a oferta vale.





07.05.2010 05:13:28

Uma das coisas interessantes de se morar na praia é que a paisagem nunca é a mesma. O mar redesenha a orla todos os dias. Leva areia daqui pra lá, traz troncos e conchas de lá pra cá, desenterra pedras aqui e cobre de areia outras pedras ali. A maré sobe e desce de novo. O passeio arenoso uma hora é estreito, outra largo, e ora nem existe – é só água. Às vezes com muita espuma, ou sem nenhuma. As ondas tem três metros de altura. Ontem, porque hoje o mar é uma placa de vidro levemente desenhado. A cor da água muda. A cor do céu muda. O horizonte é branco e tem névoa, ou é azul infinito. As ilhas refletem na camada de ar morno dando a sensação de estarem flutuando um dia, em outro são as pontas de algo que sai da água.

 





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