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12

Jun

2008


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blogs - dalton
Escrito por Dalton Sponholz   


C
omo fui professor universitário durante cinco anos e meio, há quem pense que sou um intelectual, um agente do ambiente acadêmico interessado em titulações e “produção científica”. Ledo engano. Primeiro, porque não gosto de estudar. Pelo menos não no sentido escolar de "estudar". Segundo, porque quando ouço falar em pós-graduação, mestrado, doutorado e o escambau, tenho uma sensação de mofo nas narinas. Não quero, dizendo isso, agredir nem tentar desfazer a importância da academia: uma das melhores lembranças que guardo foi a da minha visita à Universidade Federal de Viçosa, lugar que me encheu os olhos não só por ser lindo, clean, amplo, delicioso, mas por abrigar um monte de gente que está fazendo o mundo ficar melhor através da sua dedicação ao estudo e à pesquisa (obrigado, prima [e doutora] Cláudia, pela oportunidade!).


    Mas, aproveitando o assunto, e diante desse mundo que mudou tanto e alterou padrões de comportamento, vivência e conduta, valores e rotinas, idos e vindos, pós (ou “co”) Revolução Digital, dá pra perguntar, entre outras coisas, o que está fazendo esta carrada de gente que trabalha o dia todo, come mal, e corre à noite pra sua faculdade preferida (ou praquela onde conseguiu ser aceita)? Dando um upgrade na carreira? Sei.

    Também não vou reclamar desse povo que perdeu a noção das prioridades, não. Na verdade, eu questiono o que é “produção intelectual” e essa exigência maluca por titulação. Já que eu disse que não gosto de estudar (nunca gostei), pelo menos não no sentido escolar de “estudar”, repito, talvez eu não seja o mais indicado a colocar isso em debate, mas tento pipocar aqui um exemplo pra botar na parede algumas pessoas que ficaram importantes por marcar pontos no game Lattes com seus artigos publicados em revistas científicas e teses defendidas: o caso do Software Livre. A academia já percebeu sua importância e o assimilou. Seu modo de desenvolvimento já é rotina nas instituições universitárias. Muito software livre nasce em projetos de faculdade. Mas quando sua documentação chega às prateleiras que abrigam papel, nem sempre tem serventia, está praticamente obsoleta. Quer artigos sobre software livre? Não busque nos índices de bibliotecas, mas googlando alguns fóruns por material escrito por gente que tá produzindo um monte, provavelmente alguns enquanto suas mães os mandam parar o que estão fazendo pra ir estudar. Tem sido importante o que desenvolve e escreve em português duvidoso (e quase em todas as outras línguas) gente que pode não passar, à vista de alguns, de alguns nerds ou hackers adolescentes. Gigantes como a IBM passaram a investir e apostar nesse povo. A Apple utiliza esse material sob seu MacOS. Se isso não é produção intelectual...

    Voltando a quando eu era “professor universitário”, acha que eu tirava de onde o que ensinava em sala? O que não era descoberto empiricamente (um jeito acadêmico de dizer “fuçando”), era contribuição de outros fuçadores. Difícil era defender minha bibliografia obrigatória diante do MEC, mas isso é outra história.

Última atualização ( Qui, 19.06.2008 22:59 )
 

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