Aldeia Numaboa
Um portal diferente em Português |
Faça a sua parte! NÃO JOGUE SEU VOTO FORA! NÃO dê seu voto a qualquer cidadão condenado ou sob suspeita! |
2617 registros
2 hoje
9 nesta semana
49 neste mês|
Qui 19 Jun 2008 21:50 |
Aldeia Numaboa
|
|
C onvergência. Palavra que se lê e ouve em todo canto, e que avisa que tudo está ficando digital, da certidão de nascimento às telenovelas, da enciclopédia à música, da fotografia à telefonia (é, levar no bolso um telefone que tira fotografias, toca músicas, faz pesquisa na wikipedia, permite assistir à TV e acessa o cartório é muito pra cabeça mas tá aí). A chamada Revolução Digital transforma o mundo de maneira tão profunda quanto o transformou a Revolução Industrial (imagino eu, pois não tava lá pra ver) beirando o início do século XX com suas automatizações a vapor (ei, Sr. Ford e sua linha de montagem), seus motores a combustão e a eletricidade que mudou o modo de viver de toda a humanidade. Mas quero falar aqui de um personagem importantíssimo desta revolução, e da revolução que ele próprio sofre em ciclo de retroalimentação: o software (é, taí em itálico porque é palavra britânica citada em texto português[?] por não existir similar nativo – afinal, “programa de computador” nunca vai querer dizer a mesma coisa, até porque não roda mais só em computadores, dada a onda de “embarcados” em máquinas fotográficas, agendas, televisões e sabe Deus onde mais vai). Enfim, do software: desde o nascimento este já é um elemento interessante, porque não tem como não ser multidisciplinar. Das ciências exatas, o seu desenvolvimento é engenharia, merecidamente matemática em toda a sua exatidão, mas a que mais carrega gordurosamente, muito mais que a própria física, um recheio de filosofia, com seus “if's” e lógica booleana (talvez por isso eu conheça tantos programadores chegados aos questionamentos existenciais, e talvez por isso jovens nerds computólogos concebam algo tão bem elaborado como “Matrix”, o filme, que costura, em uma trama de ação, Revolução Digital, filosofia e religião em um tecido de idéias seletas fino e legítimo digno de qualquer grande pensador). E pra deixar mais divertido, com as interfaces gráficas, ícones, interação por movimentos de mouse e cliques, e a popularização do uso dos computadores por gente que não tá nem aí pros computadores, o software ganha necessidade de ergonomia (tipo dar um uso útil e pertinente à rodinha do mouse), design e adequação a público-alvo. Ops! Acho que estamos falando de outra ciência... que tal “projeto de produto”? Pois é, mas não acabou – dado que dificilmente alguém constrói um programa para ser rodado em uma máquina isolada, uma vez que computador virou sinônimo de acesso à rede, e se software é algo que tende a estar conectado à mãe das mídias (que deveria ser filha, mas por causa da “convergência” virou a mãe até das avós), pode ser também comunicação de massas, ou até melhor que isso, comunicação dirigida. Já sacou por que comecei o texto com “convergência”? Não sei se digo que o software convergiu pra muitas ciências, ou se tem ciências demais convergindo para “o digital”, mas a questão que levanto é quanta ciência é necessária para desenvolver software de verdade, de qualidade? Ou, mais simples, quem é que deve fazer programas (para computador, pra telefone, e pra TV [gostou do trocadilho?])? É divertido ver o povo do “Desenho Industrial” entrando em cursos rápidos de programação PHP pra aprender a trabalhar como webdesigner (taí outra palavrinha britânica sem similar nativo, afinal “desenvolvedor de páginas para internet” nunca vai dizer a mesma coisa, e internet já é palavra abdusida). Não tô criticando, apóio essa idéia, é bem por aí... Acho que o desenvolvedor real é aquele meio que um sacerdote dessa era virtual... como aqueles missionários que precisavam das formações em Filosofia, Teologia, Antropologia, Transcultural e o escambau pra serem considerados aptos a evangelizar um povo não-alcançado, o sujeito tem que estar letrado nas Humanas e nas Exatas para, ao mesmo tempo em que constrói máquinas virtuais e sistemas de gestão de informação, tirar o melhor proveito e conversar em paz com o meio, a mensagem e o público-alvo que agora também se chama usuário, nesse novelo digital gigante de comunicação e relacionamento. Ou monta uma equipe multidisciplinar – vou avisando que em Babel não deu certo. |
| Última atualização ( Qui, 19.06.2008 21:58 ) |
|