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| 2. Sistemas Secretos |
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| Criptografia Numaboa - Papers | |
| Escrito por Shannon | |
| Seg, 26.11.2007 21:44 | |
Reciprocamente, qualquer conjunto de entidades deste tipo será chamado de "sistema secreto". Por conveniência, o conjunto das mensagens possíveis será chamado de "espaço de mensagens" e o conjunto de criptogramas possíveis de "espaço de criptogramas". Dois sistemas secretos serão iguais se forem constituídos pelo mesmo conjunto de transformações Ti, com o mesmo espaço de mensagens e criptogramas (extensão e domínio) e a mesma probabilidade para as chaves. Um sistema secreto pode ser visualizado mecanicamente como uma máquina que possua um ou mais controles. Uma sequência de letras, a mensagem, alimenta a entrada da máquina e uma segunda série emerge na saída. A uma determinada configuração dos controles corresponde uma determinada chave que está sendo usada. Alguns métodos estatísticos precisam ser estabelecidos para a escolha de uma chave dentre todas as possíveis. Para tornar o problema matematicamente tratável, devemos assumir que o inimigo conhece o sistema que está sendo usado, isto é, ele conhece a família de transformações Ti e as probabilidades de escolha das várias chaves. Pode ser que esta premissa seja refutada com o argumento de que esteja fora da realidade porque, com frequência, o criptanalista não conhece o sistema usado ou desconhece as probabilidades em questão. Existem duas respostas para esta objeção:
A situação é parecida com a que ocorre na teoria dos jogos 3, onde se assume que o oponente "descobre" a estratégia de jogo que está sendo usada. Em ambos os casos, a premissa serve para delinear nitidamente o conhecimento do oponente. Uma segunda objeção possível à nossa definição de sistemas secretos é que ela não leva em conta a prática comum da inserção de nulos em uma mensagem e o uso de substitutos múltiplos. Nestes casos não existe um criptograma único para uma dada mensagem e chave - o cifrador pode escolher à vontade dentre vários criptogramas diferentes. A situação poderia ser tratada, porém iria apenas adicionar complexidade ao presente estágio sem alterar substancialmente qualquer dos resultados básicos. Se as mensagens forem produzidas por um processo de Markoff do tipo descrito em (1) para representar uma fonte de informação, as probabilidades das várias mensagens são determinadas pela estrutura do processo de Markoff. No momento, entretanto, queremos ter uma visão mais geral da situação e considerar as mensagens meramente como um conjunto abstrato de entidades com probabilidades associadas, não necessariamente compostas por uma sequência de letras e não necessariamente produzidas por um processo de Markoff. Deve ser destacado que, em todo este trabalho, um sistema secreto não significa uma, mas sim um conjunto de muitas transformações. Após a escolha da chave, apenas uma destas transformações é usada e, devido a isto, pode-se ser induzido a definir um sistema secreto como uma simples transformação num idioma. O inimigo, entretanto, não sabe qual foi a chave escolhida e as chaves que "podem ter sido" são tão importantes para ele quanto a efetivamente usada. Na verdade, é apenas a existência destas outras possibilidades que confere algum segredo ao sistema. Uma vez que o segredo é nosso interesse primário, somos forçados a ficar com o conceito bastante elaborado para um sistema secreto definido acima. Este tipo de situação, onde as possibilidades são tão importantes quanto as atualidades, ocorre frequentemente em jogos de estratégia. O desenrolar de um jogo de xadrez é amplamente controlado por linhas que não são completadas. A "existência virtual" de imputações não realizadas, da teoria dos jogos, também guarda alguma semelhança. Deve ser notado que, de acordo com a nossa definição, uma única operação numa língua produz um tipo degenerado de sistema secreto - um sistema com apenas uma chave de probabilidade unitária. Tal sistema não possui segredo - o criptanalista acha a mensagem aplicando o inverso desta transformação, a única do sistema, no criptograma interceptado. O decifrador e o criptanalista, neste caso, possuem a mesma informação. Em geral, a única diferença entre o conhecimento do decifrador e o conhecimento do criptanalista inimigo é que o decifrador conhece a chave específica que está sendo usada enquanto o criptanalista conhece apenas as probabilidades a priori das várias chaves do conjunto. O processo de decifração é o de aplicar o inverso da transformação específica usada para a cifragem do criptograma. O processo de criptanálise é o de tentar determinar a mensagem (ou a chave específica) tendo o criptograma e as probabilidades a priori das várias chaves e mensagens. Existe uma série de difíceis questões epistemológicas associadas à teoria do secretismo ou, na realidade, com qualquer teoria que envolva questões de probabilidade (particularmente probabilidades a priori, teorema de Baye, etc.) quando aplicadas a situações físicas. Tratada abstratamente, a teoria da probabilidade pode ser enquadrada numa base lógica rigorosa através do enfoque da moderna teoria das medidas 4 5. Entretanto, aplicadas a uma situação física, especialmente quando estão envolvidas probabilidades "subjetivas" e experimentos que não podem ser repetidos, aparecem muitas questões de validade lógica. Por exemplo, no enfoque de segredo aqui utilizado, as probabilidades a priori de várias chaves e mensagens são consideradas como conhecidas pelo criptógrafo inimigo - como podemos determinar operacionalmente se suas estimativas estão corretas, baseadas no seu conhecimento da situação? Podemos construir situações criptográficas artificiais do tipo "urn and die", nas quais as probabilidades a priori possuem um significado definido não ambíguo, e a idealização aqui usada certamente é apropriada. Em outras situações que pudermos imaginar, por exemplo uma comunicação interceptada entre marcianos invasores, as probabilidades a priori seriam provavelmente tão incertas que seriam desprovidas de significado. A maioria das situações criptográficas práticas ficam em algum ponto entre estes limites. Um criptanalista poderia ficar tentado em classificar as mensagens possíveis em categorias como "razoável", "possível porém pouco provável" e "absurdo", mas sente logo que esta subdivisão mais detalhada não faz sentido. Felizmente, em situações práticas, apenas erros extremos nas probabilidades a priori de chaves e mensagens causam erros significantes nos parâmetros importantes. Isto se deve ao comportamento exponencial do número de mensagens e criptogramas e às medidas logarítmicas utilizadas. 1 - Shannon, C. E., "A Mathematical Theory of Communication", Bell System Technical Journal, Julho de 1948, p.379; Outubro de 1948, p.623. 3. Veja von Neumann e Morgenstern "The Theory of Games", Princeton 1947. 4. Veja J. L. Doob, "Probability as Measure", Annals of Math. Stat., v. 12, 1941, pp. 206-214. 5. A. Kolmogoroff, "Grundbegriffe der Wahrscheinlichkeitsrechnung", Ergebnisse der Mathematic, v. 2, No. 3 (Berlim 1933). Tradução vovó Vicki |
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| Atualização Ter, 03.06.2008 15:57 |