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| Uma nova linguagem matemática |
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| Escrito por vovó Vicki | |||||||||||||||||||||
| Sex, 30.11.2007 19:13 | |||||||||||||||||||||
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Quando comecei a me interessar pela criptologia, principalmente pela criptoanálise (criptoanalistas são os hackers!), percebi que não seria possível ignorar a matemática. Era uma situação muito incômoda: a curiosidade era enorme mas, como acontece com a maioria das pessoas, a ciência dos números me intimidava. A pergunta que me fiz foi a seguinte: deveria desistir logo de cara ou enfrentar o medo? Foi daí que descobri que a matemática é apenas um idioma que pode ser aprendido como outro qualquer O modelo da criptologia
O objetivo fundamental da criptografia é permitir que duas pessoas, geralmente chamadas de Alice e Bob, possam se comunicar através de um canal inseguro de modo que um "inimigo", o Oscar, não possa entender o que está sendo transmitido. Este canal pode ser uma linha telefônica, uma rede de computadores ou outro meio de comunicação qualquer. Estes são os personagens desta história.
A informação que Alice quer enviar para o Bob, chamada de texto claro ou texto aberto, pode ser um recado em português (ou qualquer outra língua), dados numéricos, um arquivo de som, etc e tal - a estrutura da informação não importa. Alice cifra o texto claro usando uma chave predeterminada e envia o texto cifrado resultante através de um canal inseguro... inseguro porque o Oscar pode bisbilhotar este canal e interceptar a mensagem da Alice. Acontece que o espião Oscar não entende chongas da mensagem interceptada porque não é capaz de decifrá-la. Por outro lado, o Bob, que conhece a chave, pode decifrar o texto e recontruir a mensagem original. Este é o modelo clássico da criptologia: Alice e Bob fazendo criptografia e Oscar tentando fazer criptoanálise. Um pouco da linguagem matemáticaPara começar a aprender o "idioma" matemático, aqui está o primeiro termo do nosso "dicionário", o
O modelo matemático da criptologiaUm criptossistema é um quíntuplo, ou seja, é um sistema onde cinco "entidades" precisam ser consideradas (A, C, K, E, D):
O dicionário vai nos ajudar a entender a seguinte "frase" matemática: Para cada Trocando imagens e símbolos por palavras: Para cada CHAVE pertencente ao CONJUNTO DE CHAVES existe uma REGRA DE CIFRAGEM que pertence ao CONJUNTO DE REGRAS DE CIFRAGEM que tem uma REGRA DE DECIFRAÇÃO correspondente que pertence ao CONJUNTO DE REGRAS DE DECIFRAÇÃO. ek e dk são funções. A função de cifragem pode ser usada num texto claro x e isto é "dito" matematicamente como ek(x). O resultado é que o texto claro é transformado em texto cifrado, ou seja, ek: A -> C. Com a função de decifração ocorre o contrário, o que pode ser dito como dk: C -> A. A função de cifragem ek(x) transforma o texto claro x num texto cifrado, portanto, podemos chamar ek(x) de texto cifrado. Se aplicarmos a função de decifração correspondente a este texto cifrado, obtemos novamente o texto claro. Veja como podemos dizer isto de forma resumida na linguagem matemática: dk(ek(x)) = x para qualquer texto claro x Já estamos começando a ganhar tempo escrevendo as coisas "matematicamente" Noção de ProtocoloPara Alice e Bob se comunicarem usando um determinado criptossistema será preciso estabelecer certas regras de comunicação que os dois conheçam e obedeçam: é o chamado protocolo. Neste exemplo, Alice e Bob escolhem uma das chaves do conjunto de chaves (k x = x1 x2 ... xn Como n indica o número de caracteres da mensagem, é claro que n precisa ser maior do que zero porque, se for zero, não existe mensagem nenhuma. A forma matemática de dizer isto é n > 1 e significa n maior ou igual a 1. Além disto, já sabemos que a mensagem, seja ela qual for, pertence ao conjunto de textos claros, ou seja, x Cada caracter da mensagem clara pertence ao conjunto de caracteres desta mensagem e, como esta mensagem pertence ao conjunto de mensagens claras A, os caracteres também fazem parte deste conjunto A. Se chamarmos cada caracter de xi, o valor de i precisa ser igual ou maior do que 1 e menor ou igual ao número de caracteres da mensagem (que já chamamos de n). Então: xi Cada xi é cifrado usando a regra de cifragem ek especificada pela chave escolhida. Alice faz os seguintes cálculos: yi = ek(xi), 1 < i < n para obter a mensagem cifrada y = y1 y2 ... yn Quando Bob recebe a mensagem cifrada de Alice, ele aplica a regra de decifração dk em y1 y2 ... yn e obtém novamente a mensagem clara x1 x2 ... xn Um pouco mais de matemáticaA função de cifragem (ou regra de encriptação) precisa ser uma função injetiva. Que negócio é este? Bem, a regra ek, quando aplicada, pode dar apenas um resultado. Funções que dão apenas um resultado são chamadas de injetivas, injetoras, unívocas ou 1-1. A importância do uso de funções 1-1 na criptografia fica clara no seguinte exemplo: y = ek(x1) = ek(x2) onde x1 é diferente de x2. Neste caso, quando Bob for decifrar y, ele encontra dois resultados diferentes. Qual deles deve ser usado? Nenhum! O sistema está bichado porque a função de cifragem usada não era unívoca. |
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| Atualização Qua, 17.06.2009 19:43 | |||||||||||||||||||||