Aldeia Numaboa
Um portal diferente em Português |
"Devido às quebras de bancos, queda nas bolsas, cortes no orçamento, crise nos combustíveis e pelo racionamento mundial de energia, informamos que a famosa luz no fim do túnel será desligada." |
Se as linguagens de programação fossem carros...
2915 registros
7 hoje
17 nesta semana
24 neste mês| 87,3% | | Brasil |
| 9,9% | | Portugal |
| 0,9% | | EUA |
| 0,2% | | Espanha |
| 0,1% | | Japão |
| Hoje: | 1088 |
| Ontem: | 1299 |
| Esta semana: | 5093 |
| Semana passada: | 6313 |
| Este mês: | 8560 |
| Mês passado: | 55805 |
| Total: | 168881 |
|
Qua 01 Mar 2000 19:02 |
|
A língua alemã é relativamente fácil. Todos aqueles que conhecem as línguas derivadas do latim e estão habituados a conjugar alguns verbos podem aprendê-la rapidamente. Isso dizem os professores de alemão logo na primeira lição. Para ilustrar como é simples, vamos estudar um exemplo em alemão: Primeiro, pegamos um livro em alemão, neste caso, um magnífico volume, com capa dura, publicado em Dortmund, e que trata dos usos e costumes dos índios australianos hotentotes (em alemão, "Hottentotten"). Conta o livro que os cangurus (Beutelratten) são capturados e colocados em jaulas (Kotter), cobertas com uma tela (Lattengitter) para protegê-los das intempéries. Estas jaulas, em alemão, chamam-se jaulas cobertas com tela (Lattengitterkotter) e, quando possuem em seu interior um canguru, chamamos o conjunto "jaula coberta de tela com canguru" de Beutelrattenlattengitterkotter. Um dia, os hotentotes prenderam um assassino (Attentäter), acusado de haver matado a mãe (Mutter) hotentote (Hottentottenmutter) de um garoto surdo e mudo (Stottertrottel). Esta mulher, em alemão, chama-se Hottentottenstottertrottelmutter e o seu assassino chamamos, facilmente, de Hottentottenstottertrottelmutterattentäter. No livro, os índios o capturaram e, sem ter onde colocá-lo, puseram-no numa jaula de canguru (Beutelrattenlattengitterkotter). Mas, incidentalmente, o preso escapou. Após iniciarem uma busca, rapidamente vem um guerreiro hotentote gritando: Capturamos um assassino (Attentäter). Qual?? pergunta o chefe indígena. O Beutelrattenlattengitterkotterattentäter, comenta o guerreiro. Como? O assassino que estava na jaula de cangurus coberta de tela? - Diz o chefe dos hotentotes. Sim - responde a duras penas o indígena - O Hottentottenstottertrottelmutteratentäter (o assassino da mãe do garoto hotentote surdo e mudo). Ah, demônios - diz o chefe - você poderia ter dito desde o início que havia capturado o Assim, através deste exemplo, podemos ver que o alemão é facílimo e simplifica muito as coisas. Basta um pouco de interesse!!!!!!
O alemão pode ser uma língua eufonicamente bisonha, de pedregosa prosódia, para muitos impenetrável, mas sua versatilidade semântica, digamos assim, talvez só não seja maior que a do inglês. Vivemos cercados de termos alemães, incorporados não apenas ao jargão musical (Lied, Leitmotiv) e filosófico (Gestalt, Dasein), mas também a instâncias mais elásticas como Zeitgeist (espírito do tempo), Doppelgänger (duplo) e Weltanschauung (cosmovisão), esta última já incluída no Aurélio. Outros mais poderíamos agregar ao nosso vocabulário, enriquecendo a língua franca a que fomos inexoravelmente condenados. Pela prosaica razão de não dispormos de similares para Drachenfutter, Torschlusspanik, Korinthenkacker, Weltschmerz e Schlimmbesserung na última flor do Lácio, mal não faria a vulgarização desses vocábulos entre nós. A menos, é claro, que conseguíssemos sintetizar numa só palavra o medo que as moças solteiras sentem quando começam a passar da idade de casar (Torschlusspanik), aquelas pessoas extremamente preocupadas com detalhes irrelevantes (detalhista é pouco se comparada a Korinthenkacker), a cavernosa tristeza de certos jovens (Weltschmerz) e o resultado adverso de um suposto aprimoramento (Schlimmbesserung). Se ditames protecionistas nos obrigassem a incorporar apenas uma palavra do alemão, eu abriria mão de todas as citadas para ficar com Schadenfreude. Esta é tão significativa e única que americanos e ingleses a utilizam com frequência há muito tempo (oficialmente desde 1852, que foi quando o arcebispo R. C. Trench a empregou pela primeira vez na Inglaterra), inclusive em textos jornalísticos, sem ter de explicar entre parênteses o seu significado, pois boa parte dos povos de línguas inglesas sabe que Schadenfreude (pronuncia-se chadenfróide) é aquela sensação de prazer que a desgraça alheia nos provoca. Trechos de um texto de Sérgio Augusto |
|