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Sex 06 Abr 2007 18:09 |
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Página 1 de 14 Excelente tutorial vindo de Chapecó, SC, escrito por Cícero Moraes em 04.02.07. O autor disponibilizou o tuto para ser publicado aqui na Aldeia. Obrigada, cogitas3d! Considerações iniciaisNos meus tempos de Windows user aquela janelinha preta do Dos, ou prompt para os mais íntimos, parecia-me pouco atraente. Imagines só, o mouse era muito mais prático, era só mover a mão um pouquinho, apontar para aqueles ícones e tchiuca! dar uma clicada e a diligência estaria resolvida. Sempre deslumbrava os hackers usando o prompt e tentava imaginar o porque deles embuírem-se naquela atividade tediosa já que contavam com uma pratissíssima interface gráfica ao alcance das mãos. Não vou esticar a minha explanação com descrições pormenorizadas. A resposta a preferência dos hacker pela "telinha preta" evidenciou-se depois de alguns anos de uso do Linux de minha parte... era o controle. Quando tu contas com o modo texto à tua disposição e as ferramentas certas, tens via scripts e comandos todo o controle do sistema operacional. Tu podes desenhar, criar arquivos de textos, entrar na internet, baixar arquivos, fazer downloads e toda uma sorte de atividades naquela "tosca" telinha preta. O mais interessante é que tu podes usá-la tanto no computador que estiver na tua frente, quanto num computador nos confins da China via ssh, incrível não? Não??? Certo, imagines a situação. Tu tens uma firma no outro lado da cidade, estás no conforto do teu lar, curtindo uma chuvinha que lá fora cai. De repente toca o celular: - Seu fulano, estou com um problema aqui no computador. Fiz o que o senhor mandou para criar o backup mas apareceu uma mensagem de erro maluca! Tu nem pensas sair de casa, está bom demais curtir aquela chuvinha. Simples! Como o teu sistema é um Unix-like, basta entrares na internet e acessar o microcomputador remoto via Ssh. Assim que o fizer, tu dás uma olhada no arquivo .conf ou no script que criaste para fazer backup. Até então está tudo certo. Mas um pouco de procura, tu entras no histórico de comandos e póf! Descobre que o teu funcionário não rodou o comando correto para fazer backup. Então tu simplesmente o faz e manda um script para o funcionário em questão com os procedimentos corretos do trabalho. Pois, isso é apenas um parco exemplo, o poder do modo texto é bastante amplo. Para aqueles que não compreenderam bem a explicação, o que quis dizer foi o seguinte: Com o modo texto tu podes fazer praticamente qualquer coisa num computador, tanto o que está na tua frente agora, quanto um que estiver a milhares de quilômetros. Agora a pergunta que não quer calar. Por que expliquei tudo isso? Simples. Assim que comecei a escrever alguns modestos scripts para automatizar as minhas tarefas ao usar o Linux, ví que quase todos os programas tinham um arquivo .conf que continham a configuração de seu funcionamento, que quase todas as ferramentas de configuração do sistema eram scripts e não programas binários e que mesmo os programas binários se comunicavam entre sí e ofereciam saídas e mensagens de erro e comportamento que desaguavam em um arquivo de texto. Caramba! Arquivos de texto, eles são "os caras". Depois da descoberta dos scripts analisei-os e estudei-os a fundo. Descobri que os programas do Shell Script, Exemplos de programas que geram arquivos interpretados: POV-Ray(.pov), Inkscape(.svg), OpenOffice(.odt)... Exemplos de programas que geram arquivos binários: Blender 3D (.blend), Gimp (imagens como .jpg, xfc, gif...), Microsoft Word (.doc)... A partir desta segunda fase passei a usar muito os programas que geravam arquivos interpretados ao invés de binários. Percebi que haviam prós e contras, o principal pró é o controle do arquivo e o principal contra é o enorme tamanho desses arquivos em relação aos binários. Por exemplo, um arquivo com uma animação multimídia de 250Kb binário corresponde a um interpretado de 45 Mb por exemplo! E mesmo compactando a diferença ainda é grande. Outra coisa que descobri e esta ajudou-me bastante ao tornar prática a edição dos arquivos foram as Expressões Regulares. Não vou aprofundar-me no assunto, basta saberes que as expressões regulares ou regex possibilitam a edição de arquivos de texto através de padrões sem a necessidade de abri-los! Tu podes mudar ocorrências dentro deles, como datas, ordem de palavras, apagar letras, frases e todo o mais com um único comando! Tudo isso deve estar parecendo meio confuso, mas não desistas. Continues lendo o texto que as coisas vão se encaixando pouco a pouco. A priori fiquei bastante chateado por compreender que o Blender gerava arquivos binários ao invés de interpretados. Mas lembrava-me que haviam os scripts em Python ou Python Scripts. Oba! Havia uma possibilidade de controle! Estudei um pouco e... ieba! Essa ferramenta mostrou-se bastante flexível e amplamente utilizável, mesmo não sendo tão abrangente ou milagrosa. Tu podes criar exportadores, construtores de meshes (malhas), configuradores e lá vai cacetada de opções. Também não vou me ater muito nestas explicações, basta dizer-te que se tu usares a tua imaginação atrelada a um bom know-how das ferramentas, se não fizeres chover, pelo menos fará de teu trabalho uma realidade mais prática, instigante e prazerosa! Outro fator que me chamou a atenção depois de todo este estudo foi perceber o quão inteligente era a forma que os desenvolvedores do Blender gerenciavam o projeto no quesito "reinventar a roda"... eles simplesmente não fazem isso! Vejas só, acima explanei modestamente o funcionamento dos programas que rodam em sistemas Unix, ou Unix-Like. Escrevi que os programas conversavam entre si. Pois bem, há alguns anos, quando larguei o 3DS Max para trabalhar com o Blender, achava estranho que um programa com tantos recursos contasse com um tamanho tão reduzido. O mais impressionante é que o tempo passava... mais recursos eram embutidos e o tamanho pouco aumentava. Ué? Eu pensava... isso é impossível! Como um programa tão amplamente utilizável e com tantos recursos antagônicos pode ser deste tamanhico? Simples... o programa usava o esforço, o trabalho de outras pessoas. Por exemplo... um bendito vai e escreve uma biblioteca de simulação física, outro de um sistema de som. A pergunta é... por que os desenvolvedores vão criar as suas a partir do zero se eles têm à mão as bibliotecas citadas? Aparentemente foi isso que os developers (desenvolvedores) pensaram e executaram. Pelo menos foi o que entendi nos textos que li. Se tu fores instalar o Blender no Linux, ou mesmo compilá-lo, verás quantos programas e quantas bibliotecas serão necessárias no sistema para que ele funcione. No Windows essas bibliotecas vem como .ddls. Inteligente não? Pois escrevi este texto para complementar o que tenho tentado explicar. Que o Blender oferece o Python como uma linguagem que se coloca entre o sistema mais interno (core) e o externo (interface) para que tu possas, sem muito trabalho, executar operações que demandariam muito tempo e conhecimento pelo jeito tradicional ou acessível. Tu o que foi dito redunda em vários conceitos: Conhecimento da interface gráfica, programação (Python), conhecimentos internos da programação (expressões regulares) e gerenciamento do sistema (Shell, comandos básicos). Obs.: Aconselho-te a ler sobre programação em Python, Orientação a Objetos, Shell script e expressões regulares. No final do tutorial estarei disponibilizando links para tal. |
| Última atualização ( Sex, 06.04.2007 20:18 ) |