Aldeia Numaboa

Um portal diferente em Português.
Sem propaganda, sem Google ads e sem banners.

A todos os amigos que me mandaram correntes que prometiam fortuna e felicidade em 2009, comunico que...

Leia Mais

Na Aldeia

Há 148 visitantes online

3293 registros
1 hoje
12 nesta semana
29 neste mês

Boas vindas: meuso

Estatística

Artigos: 1063
Leituras: 6010896
Arquivados: 21
Downloads: 533
Baixados: 171272
Glossário: 1208
Bibliografia: 25
Links: 90

Visitas de onde

Top 5:
Brasil flag 73%Brasil (38819)
Portugal flag 4%Portugal (2392)
EUA flag 4%EUA (1880)
Holanda flag 0%Holanda (237)
Rússia flag 0%Rússia (227)
53543 visitas de 97 países

Hoje:1479
Ontem:2470
No mês:27728
Mês passado:25815
Total:53543
Recorde:3037
No dia:04.03.10
Leituras hoje:13241
Leituras Total:231131
Bots hoje:253
Dados desde:16.02.2010

Login



Kanji da hora




Faça contato






Seg

15

Nov

2004


14:51

Prefácio PDF Imprimir Indique esta página
(15 votos, média 4.7 de 5)
Escrito por Mendonça   


Oswaldo Montenegro conta que quando o compositor cria uma letra nova, ele tem uma vontade imensa de mostrá-la pro seu público. Depois disso, com o passar do tempo, pode ser até que ninguém mais lembre ou ache graça na letra, mas quando ela é criada, o autor fica obcecado por sua difusão.

Com a ciência é exatamente igual. Quando o cientista faz algo novo, seja por vaidade, beleza ou simplesmente curiosidade, vem uma vontade incontida de querer dividir seu encantamento com os outros. Eventualmente, se descobre em seguida que sua teoria nem era lá essas coisas, mas nada que abale a emoção do momento em que a descoberta é feita.

Até hoje, confesso que não fiz nenhuma descoberta digna de nota, mas convivo diariamente cercado por pilhas de artigos e livros repletos de descobertas dos outros. Acontece que, ocasionalmente me deparo com algum resultado que revela algo extraordinariamente novo pra mim, e então, quase que violando os direitos autorais, sinto a emoção de descobrir aquele assunto, mesmo sem ter sido o primeiro a apreciá-lo.

Essa coluna pretende satisfazer a minha aflição em contar, pra quem quiser ouvir (ou ler), as descobertas dos outros que eu venho re-descobrindo durante minha formação de doutorando em física teórica. E quem sabe, qualquer dia desses, não apareça aqui também algo originalmente descoberto por mim?

Atualmente tenho trabalhado em teoria de informação quântica, um ramo da física que se preocupa em encontrar os limites fundamentais para o processamento de informação. Quando se fala em processamento de informação, a idéia de computação é imediata, e de fato também é válida (embora não igualmente geral). Nesse ponto de vista, a teoria de informação quântica procura os limites fundamentais do poder da computação: não quanta memória e velocidade vamos conseguir oferecer aos laptops no ano que vem, mas quais os limites fundamentais sobre o que os computadores podem fazer, dado como única restrição as leis do universo.

Mesmo que isso pareça mais um devaneio científico, esse sonho já começa a apresentar elementos de realidade. Protótipos de computadores quânticos já existem (embora, na prática, eles estejam muito aquém do que se espera teoricamente). Outras tarefas de processamento de informação como comunicação quântica, criptografia quântica, etc. já são implementadas com considerável sucesso!

Pra participar dessa efervescente área da ciência, um longo período de preparação é necessário, e eu ainda estou a meio caminho. Mas não é preciso chegar no alto da montanha pra apreciar a paisagem, e de fato a paisagem já tem se mostrado infinitamente bela, mesmo daqui de perto do sopé.

Além disso, toda escalada exige que levemos o equipamento certo. Na minha, em particular, a matemática se presta muito bem a esse papel (principalmente álgebra linear e teoria de grupos e representações), e sobre isso, tem sido curioso perceber que a ferramenta em si às vezes transborda em significado, tornando a panorâmica muito mais bonita e mais fácil de apreciar. E como tudo o que nos move é a beleza e a simplicidade, vez por outra devo ceder a tentação de falar da ferramenta sem deixar imediatamente clara a sua utilidade. Nesses momentos de mais forte abstração é necessário paciência. A recompensa sempre vem em forma de deslumbramento.

Finalmente, gostaria de destacar que isso não é um curso de coisa alguma. Ensinar assuntos como os que pretendo abordar é uma responsabilidade muito além da que eu posso assumir. Minha intenção é simplesmente colecionar (e mostrar) belas fotografias de uma excursão que acaba de começar.


Última atualização ( Sáb, 05.04.2008 16:12 )
 

Topo

Exceto onde especificamente citado, todo material deste site está sob Licença Creative Commons